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Manutenção de pistas de atletismo (2)

As médias e grandes infraestruturas desportivas são normalmente constituídas por vários equipamentos:

  • A área desportiva propriamente dita;
  • Edifício em que se integra ou edifícios de apoio;
  • Conforme as suas características, a existência de instalação elétrica que integra a iluminação pública, desportiva e dos edifícios, sistema de ventilação e ar condicionado, rede de esgotos, rede de águas quentes e frias, sistema de drenagem da área desportiva, sistema de aquecimento, instalação sonora, equipamentos informáticos e multimédia, sistema de vigilância e segurança, etc.

Ora, cada um destes subsistemas funcionais exigem cuidados de manutenção com periodicidades diferenciadas, mas necessárias ao bom funcionamento da infraestrutura desportiva.
A imposição de normas de qualidade e o nível cada vez mais exigente dos utilizadores requerem uma especial atenção para a qualidade do serviço prestado e para todos os fatores suscetíveis, de a poderem prejudicar.
A Manutenção, pode intervir na conservação ou melhoria da qualidade do serviço, através de:

  • Verificação periódica de anomalias nas instalações e equipamentos e sua resolução;
  • Garantia dos fatores ótimos de operacionalidade e funcionalidade;
  • Calibração e regulação programada dos equipamentos de indicação e medida;

Manutenção e poupança energética

No domínio da gestão eficaz da energia, cabe também à Manutenção um papel significativo, quer apoiando a seleção de soluções mais económicas, quer detetando e corrigindo todas as situações que representem desperdício de energia, como por exemplo:

  • Fugas em condutas de água, ar, gases e outros fluidos;
  • Iluminação excessiva, desnecessária ou inadequada;
  • Aquecimento ou climatização inadequados ou desregulados;
  • Isolamentos deficientes ou inexistentes;
  • Consumos excessivos de combustível, energia ou lubrificantes, devido a equipamentos desafinados, com folgas, etc.

Num outro vetor consideramos as necessidades de tratamento e manutenção de “áreas vivas”, como o são os relvados naturais e jardins/espaços exteriores, que exigem uma manutenção diária.
Também os pisos desportivos como os relvados sintéticos, os sintéticos para atletismo, desportos coletivos, e sendo interiores (em materiais diversificados) ou exteriores, exigem uma manutenção regular. Por último a existência e aplicação de um plano regular de higienização e limpeza das instalações desportivas, sendo fundamental para a saúde pública, é cada vez mais uma exigência de utentes satisfeitos.

Todas as instalações e equipamentos sejam eles edifícios, sistemas mecânicos, elétricos ou eletrónicos, estão sujeitos a ver degradadas as suas condições normais de operacionalidade, em consequência do uso e até por causas fortuitas.
As instalações desportivas, como qualquer outra edificação, necessitam de uma manutenção adequada que garanta um funcionamento correto. Conseguir uma utilização máxima das instalações e que os serviços que oferecem tenham um elevado nível de qualidade são um dos objectivos básicos da gestão dos equipamentos desportivos em que a manutenção tem uma incidência fundamental.

É objecto da Manutenção repor essa operacionalidade em níveis correctos.
Para atingir os objectivos pretendidos, a Manutenção recorre a um conjunto diversificado de tarefas seleccionadas e programadas de acordo com as características e utilização do seu objecto e os padrões de serviço que lhe foram fixados. Essas tarefas são por exemplo, a lubrificação, a limpeza, o ensaio, a reparação, a substituição, a modificação, a inspecção, a calibração, a revisão geral ou o controlo da condição de funcionamento.

Em termos temporais, a tendência é no sentido de a acção da Manutenção se exercer não apenas durante a fase de operação, mas ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a concepção, até ao seu abate ou desactivação.
Podem ser objecto de acção da Manutenção não só as máquinas e equipamentos, mas também as ferramentas, equipamentos de ensaio, equipamentos de tratamento, redes de comunicações, sistemas de ventilação e tratamento de ar, edifícios, etc.
Numa perspectiva mais alargada, a Manutenção deve incluir funções de limpeza, higienização e segurança.

Plano de Manutenção deve abarcar as instalações desportivas mencionadas, com particular incidência sobre os seguintes equipamentos:

Edificações: pequenas reparações e melhoramentos nas infra-estruturas, incluindo balneários e vestiários e outras instalações de apoio;

  • Equipamentos electromecânicos;
  • Outros equipamentos específicos;
  • Equipamentos desportivos: balizas, tabelas, gaiola de lançamentos, caixas de saltos, tábuas de chamada, círculos de lançamento e suas fixações ao solo;
  • Pavimentos desportivos: naturais (relvados) e sintéticos (pisos interior e exterior).

Formas de manutenção

Atendendo ao grau de complexidade das avarias podemos considerar cinco níveis de manutenção:


1º Nível: regulação simples, previstas pelo fabricante, sem necessidade de desmontagem ou abertura do equipamento, ou troca de elementos consumíveis Este nível pode ser executado pelo operador, no local, com recurso a ferramentas de uso geral e com o apoio das instruções de operação.


2º Nível: resolução de avarias por troca de elementos previstos para este efeito e operações menores de manutenção preventiva, tais como lubrificações ou controlo de funcionamento. Este nível de manutenção deve ser executado por técnico habilitado, no local, com ferramentas portáteis definidas nas instruções de manutenção. As peças de substituição devem existir em stock de forma a evitar a paragem do equipamento.

3º Nível: identificação e diagnóstico de avarias, reparações por troca de componentes ou elementos funcionais, reparações mecânicas menores e todas as operações correntes de manutenção preventiva. Este trabalho deve ser realizado por técnico especializado, no local ou nas instalações de manutenção.

4º Nível: todos os trabalhos importantes de manutenção correctiva ou preventiva com excepção de renovação e reconstrução. Para a execução desta manutenção é, geralmente, requerida uma equipa enquadrada por um técnico muito especializado, numa oficina especializada dotada com equipamento de ensaio e controlo específico.

5º Nível: trabalhos de renovação, reconstrução ou reparações importantes, confiadas a serviços próprios ou a empresas exteriores.

Análise e reparação de avarias

Diagnóstico e reparação da avaria

As avarias podem ser detectadas, fundamentalmente de duas maneiras:

  • Pelo operador ou utilizador do equipamento ou instalação;
  • Pelo técnico de manutenção no decurso de uma operação de vistoria ou de manutenção planeada.
Diagnóstico da avaria

O técnico de manutenção procederá ao diagnóstico da avaria. Para o efeito deve munir-se de todo o equipamento e meios de apoio ao diagnóstico: documentação técnica com os respectivos esquemas, registo histórico das avarias do equipamento e aparelhos de medida e tensão. Quanto melhor for a formação, experiência e competência do técnico mais eficaz será este diagnóstico.
Uma vez isolada a avaria, passa-se à fase seguinte, a sua reparação.

Reparação

O técnico procederá à reparação da avaria caso esta esteja ao nível das suas competências e responsabilidades.
Se não for o caso, deve o técnico informar superiormente, de forma a adoptar outro tipo de procedimento.

Relatório da reparação

Segue-se uma fase de ajustes e ensaios e o trabalho do técnico de manutenção conclui-se com a elaboração de um relatório de manutenção, onde referencia o equipamento intervencionado e regista as deficiências encontradas, o trabalho efectuado, o tempo gasto e o material consumido. Deve ainda anotar qualquer factor que tenha perturbado o eficiente desempenho do seu trabalho e eventuais recomendações sobre trabalhos adicionais ou complementares a programar para futura intervenção.

Registo histórico

Cada equipamento deve ter o seu registo histórico, onde constem, além da sua identificação, todas as intervenções de manutenção correctiva, preventiva ou de melhoramento. Este registo deve ser efectuado em ficha apropriada.
Dele constarão, nomeadamente, a data de cada participação de avaria, a descrição da avaria e da respectiva acção correctiva, o serviço executante e a identificação dos componentes substituídos, o tempo de paragem do equipamento e os custos da reparação em mão de obra e materiais.

Este registo é essencial não só para apoio à pesquisa de avarias, como também para habilitar a tomar decisões de carácter económico como, por exemplo, a oportunidade óptima de proceder à substituição do equipamento por se tornar economicamente pouco vantajosa a sua manutenção.

Este ficheiro histórico pode ser explorado para determinar a:

  • Fiabilidade – determinar a fiabilidade do equipamento, do perfil da avaria, taxa de avaria ….
  • Disponibilidade – determinação da disponibilidade média do equipamento.
  • Metodologia – determinação da metodologia mais adequada, através do conhecimento histórico das avarias mais frequentes.
  • Gestão de stocks – determinação dos consumos habituais de peças e matérias. 
  • Gestão da manutenção – determinar os custos da manutenção do equipamento. Construção do quadro de bordo.

MANUTENÇÃO PROGRAMADA

Todas as acções de manutenção devem articular-se no âmbito de um programa de manutenção global, constituindo um Plano Integrado de Acções e não um somatório de tarefas avulsas e desconexas. É nesta perspectiva que iremos tratar da manutenção preventiva.

A partir dos conhecimentos dos técnicos e apoio da documentação técnica do equipamento, o manual de manutenção para cada equipamento, constitui uma ferramenta de trabalho extremamente útil.

Esta informação que pode ser reunida num único manual ou estar distribuída por fichas técnicas é a seguinte:

  • Descrição e especificação da instalação ou equipamento;
  • Instruções para desmontagem e montagem;
  • Informação detalhada sobre as tarefas de manutenção a efectuar e periodicidade recomendada;
  • Referências dos materiais, produtos e peças de substituição;
  • Esquemas e desenhos;
  • Manuais dos equipamentos (p.ex: manual da instalação sonora, caldeira, painéis solares, etc.).

É pouco provável que uma organização que não tenha qualquer programa de manutenção desenvolva e implemente de imediato um plano que cubra todas as variáveis respeitantes às instalações e equipamentos. Poderá haver algumas dificuldades de ordem técnica, económica ou outra, que implique uma implantação faseada e progressiva.

As diferentes fases do desenvolvimento do Programa de Manutenção:

Inventário – A primeira etapa do Programa de Manutenção é a inventariação de todas as instalações, máquinas e equipamentos que devem ter controlo de manutenção. Para cada um deve ser aberta uma ficha ou um registo no sistema informatizado.
A informação a registar é, por exemplo, a seguinte:

  • Número de código
  • Designação
  • Fabricante
  • Modelo ou tipo
  • Número de série
  • Data de compra e número do respectivo processo
  • Custo de aquisição
  • Características
  • Localização
  • Identificação dos componentes substituíveis
  • Condições particulares de operação
  • Outras anotações e manuais específicos (localização)

Nota: Este é o registo para efeitos de inventário. Complementar a este devem ser criados registos para todas as acções de manutenção efectuadas no equipamento e para as operações contabilísticas sobre ele lançadas.


Sistematização e codificação (1) – Esta segunda etapa é importante para a organização do processo de manutenção, pois permite de forma sistemática, abranger todos os itens susceptíveis de serem integrados no programa de manutenção, sem risco de omissões ou duplicações. Para o efeito é feita uma listagem de todos os elementos, em subdivisões sucessivas por localização, função ou características técnicas, partindo do mais geral – a totalidade da instalação ou as várias unidades que a compõem, para o mais particular – o menor subconjunto ou elemento susceptível de ser substituído. A cada um é atribuído um número de código.
Uma forma de sistematização possível é a seguinte:

  • A unidade desportiva considerada é dividida em secções, por ex. balneários, casa das máquinas, sistema de climatização, etc., atribuindo-se um número a casa uma.
  • Em cada secção é feita uma subdivisão que integre todos os equipamentos e sistemas nela existentes, como por exemplo, cacifos, sistema de água, diferentes tipos de máquinas, componentes estruturais, etc.
  • À medida que se elabora a listagem, vai-se construindo o código de cada item.

(1) Este procedimento é particularmente importante para instalações e equipamentos complexos como são as Piscinas.

Selecção de itens significativos para Manutenção - Nem todos os itens que foram listados e codificados têm a mesma relevância do ponto de vista da manutenção. Assim, devem ser considerados prioritários todos os itens cuja avaria:

  • Possa afectar a segurança de pessoas e bens;
  • Implique a suspensão da operacionalidade do equipamento.

Estes itens são identificados, na lista anteriormente elaborada, com o código ISM - (itens significativos para a manutenção).


Selecção de tarefas de manutenção – Para os itens seleccionados há agora que definir uma ou mais tarefas de manutenção. No entanto é importante ter presente que só faz sentido estabelecer uma tarefa de manutenção se ela for eficaz para resolver o problema que levou à classificação do item como significativo para a manutenção (isto é, garantir a segurança, melhorar a economia, assegurar a operacionalidade ou confirmar a existência de uma avaria oculta).

Atribuição de periodicidade – uma vez identificada a tarefa de manutenção, a etapa seguinte é atribuir-lhe uma periodicidade que pode ser expressa em tempo (horas, dias, semanas, meses, anos).
Tal como noutros aspectos do programa de manutenção, a periodicidade deve ser revista em função da experiência que se for acumulando.

Identificação de recursos – Para a execução das tarefas de manutenção constantes do programa de manutenção é necessário dispor de recursos humanos, materiais, documentais e logísticos. A enumeração desses recursos no programa facilita o posterior planeamento dos trabalhos.
Os recursos principais a identificar são: número e qualificação dos técnicos de manutenção; peças, produtos, ferramentas ou equipamentos de ensaio; manuais, esquemas e desenhos, etc.

MANUTENÇÃO ASSEGURADA POR OUTROS SERVIÇOS

A manutenção de alguns equipamentos e instalações, devido à sua natureza e especificidade requer pessoal muito especializado e outro tipo de recursos e meios que os técnicos da manutenção não estão em condições de assegurar.

Para este fim deve recorrer-se aos serviços de empresas especializadas, através de serviços pontuais ou com celebração de contratos anuais de manutenção. Exemplos desse tipo de manutenção são: elevadores, sistema de aquecimento de águas, sistema informático, iluminação desportiva, equipamento de vídeo-finish, etc.

No caso de infra-estruturas, propriedade de autarquias, é comum os próprios serviços municipais poderem desempenhar alguma dessa manutenção específica.

O que fazemos queremos fazer bem!

Serviços de consultoria desportiva.

 

 

 


Arquitecto com trabalho desenvolvido em projetos de instalações desportivas de grande qualidade. Trabalho rigoroso especializado. Um nosso parceiro privilegiado com um portfolio de referência.

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International Association for Sports and Leisures Facilities is the leading global non-profit organisation for professionals from the sports, leisure and recreation facilities industry. Somos membros.

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Instituto Português do Desporto e Juventude I.P. tem por missão a execução de uma política integrada e descentralizada para as áreas do desporto e da juventude. Organismo central da política desportiva. 

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Fernando Tavares

Consultor desportivo. Master Éxecutif en Managenet des Organisations Sportives - MEMOS - LUNEX Université (Luxemburgo). Mestre em Ensino da Educação Física Ensino Básico e Secundário, UTL-FMH. Frequência do III Curso de Mestrado em Gestão da Formação Desportiva, UTL-FMH. Licenciado em Educação Física pelo Instituto Superior de Educação Física - UTL. Desempenhou vários cargos pedagógicos e de de gestão em escolas onde lecionou. Desde 1988 tem colaborado com diferentes Autarquias. Membro de vários comités organizadores. Formador.

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Organismos Nacionais

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Tem por missão desenvolver, promover e proteger o Movimento Olímpico em Portugal.

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Comité Paralímpico de Portugal

Tem por missão de divulgar, desenvolver e defender o Movimento Paralímpico e o desporto em geral.

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Alto rendimento - Atletismo

"Quels facteurs clés de succès pour l'athlétisme de haut niveau au Portugal"

Partindo do quadro teórico da matriz SPLISS- Sports Policy factors Leading to International Sporting Success procuramos identificar quais os fatores de sucesso no alto rendimento do atletismo. Com base em algumas semelhanças com Portugal, escolhemos para análise sobre a gestão do alto rendimento cinco países: Bélgica, Grécia, Países Baixos, República Checa e Suíça. Entrevistamos os responsáveis pelo alto rendimento da Bélgica e da Suíça, e em Portugal o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, oito treinadores de atletas olímpicos e três atletas olímpicas (uma medalhada, uma finalista e uma semifinalista). Por último apresentamos algumas sugestões para melhorar o atletismo de alto rendimento em Portugal.