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Manutenção de pistas de atletismo (1)

O investimento inicial, normalmente investimento público, efetuado na construção de infraestruturas desportivas de diferentes níveis (do equipamento desportivo de base de caráter recreativo aos grandes complexos desportivos vocacionados para a prática do desporto de rendimento e espetáculo desportivo) exige que se equacionem custos, modelo de gestão, planos de animação das mesmas, e plano de manutenção dos equipamentos. 

Procederemos desta forma a uma correta gestão destes investimentos que devem, nas melhores condições, proporcionar aos utentes um serviço de qualidade adequado à sua tipologia, valências e procura dos utentes.

De acordo com as decisões ao nível do que desejamos que aconteça na fase de utilização/exploração da infraestrutura desportiva, tomaremos então decisões importantes que, em fase de projeto, são facilmente alteradas com custos reduzidos, ao contrário de decisões erradas derivadas de erros conceptuais quando concretizadas na fase de construção/execução terão custos elevados e consequências negativas.

Assim, durante a fase de conceção e projeto, é muito importante, considerar as diferentes opções ao nível da funcionalidade, qualidade, durabilidade e características de utilização e manutenção.


Poderemos escolher soluções técnicas baratas na execução que tenham custos elevados de utilização e manutenção, soluções técnicas caras na execução que tenham custos baixos de utilização e manutenção ou soluções técnicas que aliem vantajosamente os custos de execução aos custos de manutenção.

Certo é, que uma cuidada utilização conjugada com uma planeada e rigorosa manutenção preservam as instalações e equipamentos e permitem aos utentes níveis elevados de qualidade e satisfação na utilização da infraestrutura desportiva.

Uma das preocupações dominantes será a de compatibilizar a qualidade dos equipamentos com a redução dos custos de manutenção e utilização.

Neste artigo dedicado às pistas de atletismo, dividido em duas partes, abordaremos nesta primeira parte o processo de construção das pistas de atletismo e numa segunda parte o processo de manutenção da mesma.

A construção de uma pista de atletismo

Uma Pista de Atletismo é uma instalação para a prática de todas as disciplinas do atletismo de pista (corridas, saltos, lançamentos, provas combinadas e marcha atlética). Destina-se ao ensino, formação, treino de diferentes níveis de rendimento de atletas e à realização de competições de nível regional, nacional ou internacional. 

Conforme a sua polivalência, definida pela organização funcional do espaço e pela característica dos pisos e equipamentos existentes permite também a prática de outras modalidades desportivas (p.ex. futebol, râguebi, hóquei em campo).

Assim, quando na fase de pensar o programa da infraestrutura desportiva, o promotor do equipamento deverá refletir convenientemente, pensando no futuro programa de utilização e animação desta, aconselhar-se com empresas especializadas e com os representantes das modalidades principais que ali se desenvolverão (Associações e Federação desportivas respetivas).

Questões fundamentais a equacionar na elaboração do programa da infraestrutura desportiva a construir:

  • Para que vai servir a infraestrutura desportiva?
  • Que população e utentes vão servir no futuro?
  • Que modalidades querem que tenham lugar aqui?
  • Que nível de utilização no que respeita à realização de competições e festivais desportivos querem?
  • Sendo uma pista de atletismo, vai servir para ensinar/treinar atletismo e realizar competições de nível local/regional ou deve servir também atletas de alto nível de rendimento, ser um centro de estágios e realizar competições de alto nível?

Deveremos assim na fase de conceção e projeto, prever a existência de estruturas técnicas que permitem e facilitam a manutenção, como por exemplo:

  • Existência de terminais para fornecimento de energia e água, dentro e em vários locais circundantes à pista de atletismo, permitindo assim a limpeza e manutenção da mesma;
  • Existência de espaços adequados para armazenamento de equipamentos e materiais;
  • Definição adequada dos fluxos de utentes e espectadores;
  • Acessibilidade a locais e equipamentos;
  • Etc. …

Numa Pista de Atletismo existem os seguintes materiais: 

  • Pavimento desportivo;
  •  Caleira e sistema de drenagem;
  • Círculos de lançamentos;
  • Gaiola e rede de proteção do lançamento do disco e martelo;
  • Caixas de salto e respetivas caixas de chamada;
  • Encaixe para salto com vara;
  • Colchões de salto em altura e salto com vara;
  • Obstáculos (vala de água);
  • Equipamentos desportivos diversos (barreiras, obstáculos, engenhos, etc…);

Considerando a infraestrutura desportiva Pista de Atletismo numa perspetiva mais abrangente temos também:

  • Relvado e sistema de rega;
  • Iluminação e sistema de som;
  • Sistema de vídeo-finish (medição eletrónica dos tempos) e respetivas estruturas técnicas;
  • Instalações desportivas (tipo ginásio);
  • Balneários e sanitários de utentes e espectadores;
  • Salas administrativas e técnicas;
  • Salas específicas (p. ex.: Media e vídeo-finish);
  • Estruturas técnicas específicas (sistema de ventilação e ar condicionado, rede de esgotos, rede de águas quentes e frias, sistema de aquecimento de águas, iluminação, sistemas de vigilâncias e segurança, equipamentos informáticos e multimédia, etc…). 
  • Etc…

Características da Manutenção

A ação da manutenção pode desenvolver-se segundo determinados parâmetros, para os quais é essencial determinar quais servem melhor o interesse da infraestrutura desportiva:

  • Segurança: a segurança das pessoas, dos equipamentos, da comunidade, dos utentes deve ser uma referência sempre presente e atual;
  • Qualidade: um dos objetivos da manutenção é conseguirmos o melhor rendimento das instalações e equipamento, minimizando os problemas de funcionamento conseguindo melhores condições de higiene e qualidade do serviço prestado aos utentes;
  • Custo: prolongar a vida dos equipamentos mantendo-os operacionais prolongando a sua vida útil;
  • Disponibilidade: Pretende-se da manutenção que disponibilize as instalações e equipamentos o máximo de tempo possível, reduzindo ao essencial as imobilizações programadas, como as paragens por avaria, contribuindo assim, para assegurar a regularidade e otimização do seu funcionamento.

Nem sempre é possível otimizar estes fatores em simultâneo. Compete à manutenção encontrar o compromisso mais satisfatório e compatível com os objetivos, orientações e decisões do proprietário da infraestrutura desportiva.

Podemos assim dizer que a manutenção é um conjunto integrado de atividades que se desenvolve em todo o ciclo de vida de um equipamento, sistema ou instalação e que tem como objetivo fundamental, manter ou repor a sua operacionalidade, nas melhores condições de qualidade, custo, disponibilidade e segurança.

Faz-se manutenção por três ordens de razão fundamentais:

  • Económicas: para obter o máximo rendimento dos investimentos efetuados em instalações e equipamentos desportivos, prolongando a sua vida útil, mantendo-os operacionais o máximo de tempo possível e nas melhores condições de funcionalidade;
  • Legais: a legislação obriga a prevenir situações que constituam fator de insegurança, risco de acidente (legislação sobre equipamentos desportivos p.ex. balizas), de incómodo (legislação sobre ruído) e proteção (legislação sobre prevenção e luta contra incêndios, percursos de evacuação);
  •  Sociais: as instalações desportivas asseguram também a prestação de um serviço social pelo que estas devem estar em perfeitas condições de utilização. Os grupos sociais utentes das infraestruturas desportivas podem exercer pressões, sentindo-se afetados pelos efeitos incómodos ou de risco provocados pelo mau estado das instalações e equipamentos. Mesmo não existindo uma imposição legal, a preservação da imagem das instituições deve justificar a adoção de medidas de manutenção adequadas.

Importa então perspetivar um quadro de necessidades, responsabilidades e tarefas de manutenção de infraestruturas desportivas (integra equipamentos desportivos e não desportivos e instalações de apoio) que considerem: 

  • Verificação regular das necessárias condições de segurança que não comprometam o bem-estar e saúde dos utentes;
  • Plano de limpeza e higiene das instalações desportivas;
  • Plano de manutenção regular dos equipamentos desportivos;
  • Planos sectoriais de manutenção (relvado, máquinas, edifício, etc.);
  • Os variados equipamentos, sejam equipamentos desportivos fixos (p.ex. balizas, postes e tabelas de basquetebol) ou móveis (p.ex. barreiras de atletismo), pisos (p.ex. pavimento da pista de atletismo e relvado natural/sintético), devem ser regularmente verificados de forma a prevenir a ocorrência de acidentes e lesões mais ou menos graves devido ao não cumprimento das adequadas regras e normativos de segurança;
  • No que respeita às instalações de apoio ao utente da infraestrutura desportiva, como o são os balneários, vestiários, instalações sanitárias deveremos considerar a existência de planos regulares e quotidianos de limpeza, higienização e controlo da qualidade;
  • Iguais procedimentos devem ser considerados para as instalações de apoio a outros utilizadores, como p.ex. salas de media, controlo de competições, sala VIP, bancadas, sanitários públicos, etc.

O que fazemos queremos fazer bem!

Serviços de consultoria desportiva.

 

 

 


Arquitecto com trabalho desenvolvido em projetos de instalações desportivas de grande qualidade. Trabalho rigoroso especializado. Um nosso parceiro privilegiado com um portfolio de referência.

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International Association for Sports and Leisures Facilities is the leading global non-profit organisation for professionals from the sports, leisure and recreation facilities industry. Somos membros.

site IAKS


Instituto Português do Desporto e Juventude I.P. tem por missão a execução de uma política integrada e descentralizada para as áreas do desporto e da juventude. Organismo central da política desportiva. 

site IPDJ

Fernando Tavares

Consultor desportivo. Master Éxecutif en Managenet des Organisations Sportives - MEMOS - LUNEX Université (Luxemburgo). Mestre em Ensino da Educação Física Ensino Básico e Secundário, UTL-FMH. Frequência do III Curso de Mestrado em Gestão da Formação Desportiva, UTL-FMH. Licenciado em Educação Física pelo Instituto Superior de Educação Física - UTL. Desempenhou vários cargos pedagógicos e de de gestão em escolas onde lecionou. Desde 1988 tem colaborado com diferentes Autarquias. Membro de vários comités organizadores. Formador.

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Organismos Nacionais

Comité Olímpico de Portugal

Tem por missão desenvolver, promover e proteger o Movimento Olímpico em Portugal.

site COP


Comité Paralímpico de Portugal

Tem por missão de divulgar, desenvolver e defender o Movimento Paralímpico e o desporto em geral.

site CPP

 

Alto rendimento - Atletismo

"Quels facteurs clés de succès pour l'athlétisme de haut niveau au Portugal"

Partindo do quadro teórico da matriz SPLISS- Sports Policy factors Leading to International Sporting Success procuramos identificar quais os fatores de sucesso no alto rendimento do atletismo. Com base em algumas semelhanças com Portugal, escolhemos para análise sobre a gestão do alto rendimento cinco países: Bélgica, Grécia, Países Baixos, República Checa e Suíça. Entrevistamos os responsáveis pelo alto rendimento da Bélgica e da Suíça, e em Portugal o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, oito treinadores de atletas olímpicos e três atletas olímpicas (uma medalhada, uma finalista e uma semifinalista). Por último apresentamos algumas sugestões para melhorar o atletismo de alto rendimento em Portugal.